Política de porcos - Uma visão do governo e do povo
Meu Deus, parece que a cada dia surgem novos porcos safados que pensam arduamente numa nova maneira de envergonhar todo o povo brasileiro. Quando pensamos já ter chegado ao fundo do poço, quando já temos a certeza de ter visto todo o tipo de safadeza possível, nos deparamos com algo pior ainda. Vamos ler um trecho de reportagem de hoje do jornal O Globo.
"Um deputado pouco conhecido, e no primeiro mandato, tem comandado sessões da Câmara dos Deputados — por deferência do amigo Aldo Rebelo (PCdoB-SP), a quem ajudou eleger presidente da Casa. Qualquer um dos 513 deputados pode ser escolhido por Rebelo para substituí-lo.
Natan Donadon, de 46 anos, funcionário público de profissão, estreante na política, começou a mudar de vida em janeiro do ano passado, quando chegou ao plenário da Câmara e assumiu, como suplente, um mandato de deputado federal pelo PMDB de Rondônia.
Emergia de quase dois anos de rotina na semiclandestinidade em Rondônia, onde a Justiça decretara sua prisão e a de mais seis pessoas envolvidas em um golpe nas finanças da Assembléia Legislativa.
Natan comandava a diretoria financeira da instituição, então presidida por seu irmão Marcos, atual prefeito de Vilhena, quando o Ministério Público comprovou uma fraude com 78 funcionários fantasmas inscritos na folha de pagamentos do legislativo estadual. Acabou condenado a quatro anos e seis meses de prisão por formação de quadrilha, desvio e apropriação indébita (peculato) de R$ 3,5 milhões.
Antes de entrar na Câmara, 20 meses em fuga da Justiça
Viveu 20 meses como foragido da Justiça, até que o PMDB de Rondônia o socorreu, dando-lhe um mandato na Câmara, na vaga de Confúcio Moura, atual prefeito de Ariquemes.
Donadon deu uma festa quando chegou a Brasília. Comemora até hoje, sempre repetindo a quem pergunta sobre sua situação judicial:
— Está tudo certo, foi superado.
Significa que o mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça de Rondônia está sem efeito.
Como deputado, ele só pode ser preso em flagrante delito, segundo a Constituição. O caso Donadon passou, automaticamente, à jurisdição do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com o processo judicial paralisado e o irmão — acusado na mesma ação criminal — no comando da prefeitura de uma das maiores cidades de Rondônia, Natan Donadon manteve-se à margem da crise no Congresso. Discreto no plenário, esquiva-se de repórteres e foge de fotógrafos. Dedica-se em tempo integral à conquista de um novo mandato na eleição de outubro — com a consequente extensão da imunidade parlamentar.
Mostra-se competente em alianças nos corredores da Câmara. Mesmo condenado em um processo de peculato, junto com o irmão que o nomeou diretor financeiro da Assembléia, conseguiu ser indicado pelo PMDB para a comissão especial da Câmara sobre nepotismo, onde se debatem aspectos de uma legislação que poderá impor limites à parentela no serviço público. Seu irmão Marcos deu cargos de confiança no legislativo estadual a um grande número de parentes, como a mulher e a sogra de Donadon, e a vários amigos da família — entre esses quase uma centena de cabos eleitorais. "
Depois de ler uma reportagem dessas, tenho que confessar que a primeira coisa que me dá vontade é de sair deste país. Um bandido foragido é apoiado pelo presidente da câmara e ainda faz parte de uma comissão especial sobre nepotismo, sendo que ele próprio se beneficiou do nepotismo!!! Que país é este? A que ponto nós chegamos? Casos como este, casos como os relatórios da CPI que precisarão passar pelo crivo daquele que encheu a boca diante da câmeras falando para todos que puniria quem quer que fosse acusado de participação nas safadezas do governo. O próprio presidente deste país dá o exemplo (o pior possível) para os membros de sua gangue e para toda a população.
Nosso problema é extremamente grave e praticamente impossível de ser resolvido. A corrupção faz parte da cultura do Brasil. E se você não acredita, é bem fácil comprovar isso. Basta reparar num simples fato. Pegue uma pessoa "certinha", aquela que faz tudo conforme as leis e o bom senso e que não se aproveita dos outros ou de situações para tirar vantagens. Essa pessoa será considera otária pela maioria. Já o espertalhão que se aproveita de tudo e de todos para levar vantagens será considerado um cara legal, um cara esperto que não é um otário. Ou seja, o certo será considerado o errado, enquanto o errado será considerado o certo! Perversão da realidade? Sim, o bom senso e os valores morais foram distorcidos de tal maneira que uma grande parte das pessoas deste país nem se dá conta de quão sério é o problema.
E não pense que isso é algo novo, pois não é. Isso já vem de muito, muito tempo. A cada geração a situação foi se tornando mais e mais complexa, até chegar a este ponto. Somos representados por bandidos, somos roubados pagando impostos altíssimos e quem nem sabemos ao certo seu valor. Dinheiro de impostos serve para que o governo possa investir no país e nos direitos básicos do povo, como saúde, educação e outros. E o que acontece com aqueles que não podem custear por conta própria esses direitos? Acontece muita coisa, muita coisa ruim. Quando precisa de algum atendimento médico, fica em filas enormes para ser jogado numa maca de um chão sujo num calor insuportável e ficar ainda pior ou até mesmo morrer. O que acontece com a educação? Bom, simplesmente não acontece. Ou melhor, acontece uma involução. Em vez de tornar o sistema de ensino mais rígido, tornaram mais frágil. Agora as crianças podem concluir o ensino fundamental sem saber ler, escrever ou fazer contas. Mas para que vão se esquentar com isso? O velho pão e circo evoluiu com o tempo e se transformou em samba, futebol e cerveja para satisfazer o povo.
E o que podemos esperar para o futuro? Do jeito que as coisas estão hoje, podemos esperar que fique muito pior. Mudar isso é bem improvável, um verdadeiro sonho quase impossível. Mas te digo o seguinte. Podemos não conseguir mudar tudo e melhorar a situação de todo o país, mas podemos pelo menos fazer a nossa parte. O efeito pode ser pequeno, quase imperceptível na verdade. Mas acho melhor fazer isso do que me conformar e aceitar essa situação.





































