Segunda-feira, Outubro 10, 2005

Proibição de venda NÃO. Conscientização SIM.



Estou aproveitando a blogagem coletiva do Nós na Rede para escrever sobre o referendo da proibição de armas de fogo no Brasil.

Para começar, quero deixar bem claro que não gostei nem um pouco deste referendo. O custo estimado de sua realização é de 240 milhões de reais. Uma quantia bem alta, ainda mais quando comparada com os 165 milhões gastos pelo governo com segurança pública no ano passado. Gastamos, ou melhor, gastam mais dinheiro com uma pergunta besta e confusa do que com meios eficazes de proteger a população e reduzir a violência.

Violência, essa é a grande questão que está sendo usada pelos grupos que defendem o sim e o não. Todos apresentam seus motivos baseando-se na violência, no caos que gradativamente vem tomando conta do nosso país.

Quem é a favor da proibição do comércio de armas tem várias histórias tristes para contar. Geralmente algum familiar ou amigo vítima da violência. De uma bala intencional ou perdida. Com certeza, um fato muito triste, que também acontecerá com outras pessoas e que não será alterado com este referendo.

Vamos ver o que diz a lei a respeito das armas de fogo.

Hoje qualquer cidadão pode adquirir uma arma de fogo. Basta ir até uma loja que venda, escolher e pagar. Na hora que a pessoa pega a arma para deixar a loja, ela já está cometendo um crime. É, é isso mesmo que você leu. Caso ainda não saiba, a legislação define como crime o transporte de armas de fogo, excetuando-se quem possui porte de arma de fogo ou casos previamente autorizados. Para obter o porte de uma arma você precisa se justificar, e poucos poderão obtê-lo legalmente.

O que será alterado se a proibição vencer?

Se a proibição vencer a venda será proibida, logicamente. De efeito prático e sabido, só isso. Quem já possui porte de arma, continuará com o mesmo. Quem mora em fazendas e precisa de armas para se proteger de animais selvagens, também poderá obter registro de caçador. Praticantes de tiro também poderão adquirir suas armas e munição, pois terão esse direito concedido. A fábrica da Taurus não será fechada, até porque a imensa maioria de sua produção é exportada. O que é comercializado no mercado nacional continuará sem sofrer alterações significativas. Quem adquire seus produtos não são as pessoas físicas, são empresas de segurança particular, forças armadas e afins.

Vários efeitos negativos também podem surgir com essa proibição. Ao tornar a venda de armas ilegal, várias pessoas se sentirão estimuladas a burlar a lei e comprar uma arma de fogo. E pode ter certeza absoluta que elas não terão dificuldades para fazer essa compra. Hoje não têm. O cara que quer comprar uma arma não vai à loja. Ele compra com alguém, de preferência com numeração raspada para dificultar a localização da origem da arma.

Com a propaganda feita pelos meios de comunicação, os bandidos podem se sentir mais confiantes ainda e decidir aumentar sua atuação que já é bem ampla. Podem se sentir mais seguros por achar que menos gente andará armada e poderá reagir a um assalto.

Vou deixar bem claro que não defendo o uso de armas. Além de ser um crime, acho uma estupidez enorme uma pessoa que não possui treinamento portar uma arma no dia-a-dia. Ela dificilmente conseguirá se defender e acabará agindo no auge da raiva, sem total discernimento do que é certo ou errado. Até mesmo ter uma arma em casa não está certo na minha opinião. Mas é um direito que cada um tem e deve continuar tendo. Até porque proibir a venda não forçará ninguém que já possui uma arma a se desfazer dela. Muito pelo contrário, como já foi dito acima.

Para diminuir os acidentes causados por armas de fogo precisamos de conscientização. Campanhas de conscientização para a população e ações enérgicas e efetivas contra o crime.

O que será alterado se proibição perder e o comércio continuar como hoje?

Nada será mudado. Continuaremos como hoje e sem extirpar um direito de escolha que cada um deve ter. Muitos levantarão a voz e falarão sobre o limite que um indivíduo deve ter quando essa escolha pode colocar a vida de outro em perigo. Essa é uma questão bem interessante.

Somos livres e como seres humanos temos o direito de agir conforme a nossa vontade. Isso ninguém discute. Assim como ninguém discutirá que para viver em sociedade precisamos de respeito ao próximo. Precisamos respeitar os direito dos outros e suas vidas. Para isso criamos regras. Essas regras são chamadas de leis. Leis são criadas para proteger os direitos de cada um e existem de acordo com a necessidade de cada sociedade.

Países do chamado primeiro mundo, onde a qualidade de vida é superior quando comparada com outros países como o nosso, por exemplo, possuem (em sua maioria) menos leis e mesmo assim têm menos problemas do que nós, no que se refere à violência urbana. E isso se deve a consciência de cada um.

A violência urbana que sofremos não acontece por causa da arma vendida numa loja. Ela acontece por um problema muito mais grave da sociedade brasileira. Miséria, exclusão social, a falta de consciência, a falta de perspectivas na vida, a falta de exemplos dignos para a nação (políticos) e outros mais.

Não digo que mudar essa situação é fácil, pois definitivamente não é, mas já está mais do que na hora de medidas eficazes sejam colocadas em prática para que daqui a algumas décadas a situação seja controlada e mantida em níveis aceitáveis.

Gostaria de votar sim para essas medidas, sim para o início da luta contra a violência. Para esse referendo sobre a comercialização, voto não. Não quero incentivar a venda e uso de armas tornando sua venda proibida quando o uso já é vetado. Quero que o governo enxergue o que precisa ser feito e comece a fazer. Sei que posso quero demais, mas isso já é outra história.

22 Comentários:

10 Outubro, 2005 09:05, Anonymous Afonso disse...

Quase todos os argumentos favoráveis ao SIM, gostarias de votar pelo SIM e, no entanto, votas pelo não? abs

 
10 Outubro, 2005 09:17, Blogger Patty disse...

Tenho lido tanto,mas não consigo me decidir.Tenho pontos a favor e contra, embora sinta o meu pé mais no não do q no sim. O problema é a PROIBIÇÃO, proibir não adinta nada.
Beijos e boa semana pra ti.

 
10 Outubro, 2005 09:38, Anonymous Nanda disse...

Eu realmente não acredito que proibir a comercialização legal de armar vai diminuir os índices de violência de forma significativa.

 
10 Outubro, 2005 11:58, Anonymous Palpiteira disse...

Carlos, meu amigo, acho esse referendo um absurdo. Imagine um governo desses... só aqui mesmo para permitirem que essa gente tome uma medida como essa e siga em frente. País sem dono, perdido. Eles deveriam estar todos presos.
Beijos.

 
10 Outubro, 2005 14:44, Anonymous Barbara disse...

Sabe o que eu gostei? Do "pergunta besta". heheheh Gostei do texto, P. Eu estou pensando um meio de sair dessa enrascada, mas está difícil. Beijos

 
10 Outubro, 2005 15:26, Anonymous Carlos Augusto - Zenith disse...

Carlinhos, meu camarada...
show de bola... acho que o pensamento é bem por aí...
Abraço
Carlos Augusto

 
10 Outubro, 2005 17:09, Blogger Vera Fróes disse...

Carlos, por todos os teus argumentos(muito bem colocados por sinal) voto Sim. Porque não é uma arma que vai dar segurança ao cidadão. Sou da Paz e pela Paz. Mas pelo que estou sentindo deve ganhar o Não. Mas voto de acordo com minha consciência e a minha vida está na mão de Deus(só nele confio).
Boa semana. Bjos.

 
10 Outubro, 2005 18:43, Anonymous nuvemLiLas disse...

Subscrevo cada palavra. E a fabricação e a exportação nada mudam com o referendo.
E desculpem-me os mais sensíveis, mas me "irrita" o pedido de "paz". Não estou em guerra, até porque guerra só existe quando há dois lados na disputa de alguma coisa ou de um objetivo.
O objetivo e dever de ordem pública é de qq país.
Agressão é deixar pesoas viverem em péssimas condições e ser permitido desmatar encostas.
Os outros países do mundo diferem de nós porque existe "segurança", como um dia já "existiu": no tempo em que os túneis e as ruas não precisavam ser fechados.

Bandido e assassino não é privilégio nacional.

 
10 Outubro, 2005 21:25, Blogger Jacque disse...

Carlos cheguei aqui pelo "Nós na Rede" via Pras Cabeças do Claúdio. Concordo do princípio ao fim com você. Quero um referendo, ou melhor, quero uma política e ações contra o tráfico de drogas, de armas, contra a corrupção e à falta de punição. quero muito um dia poder votar pelo sim ao desarmamento, desde que todas as ações acima estejam implantadas e funcionantes no nosso país, mas para o dia 23 meu voto é não! E mais uma coisa, esse referendo é repugnante, absolutamente ineficiente e desrespeitoso com o povo brasileiro.
Abraços.

 
10 Outubro, 2005 21:46, Blogger luma disse...

Porque ficar com um direito que já é nosso?

 
11 Outubro, 2005 00:42, Anonymous Suely disse...

Também concordo que a proibição possa a vir a estimular.
Como disse um policial, a quantidade de armas legais na mãos dos civis é em torno de 3000, é um grão de areia num universo de armas.

 
11 Outubro, 2005 07:30, Anonymous Yvonne disse...

Carlos, não conheço ninguém que esteja confortável votando no NÃO. Eu gostaria imensamente de ter que escolher o SIM, mas não dá mesmo. Não confio nos governos. Beijocas

 
11 Outubro, 2005 09:21, Anonymous Tatiana Pacheco disse...

Concordo plenamente com suas palavras, precisamos de um referendo para acabar com esses políticos que estão destruindo nosso País, esse referendo é uma hipocrisia, querem proíbir o comércio legal de armas enquando na Rocinha pessoas inocentes incluindo crianças foram atingidas por balas perdidas em confronto entre bandidos e policiais.... Continue assim amigo!

 
11 Outubro, 2005 12:19, Anonymous Eduardo disse...

Eh, eu também não gostei do governo ter gastando esse dinheiro todo com isso, em vez de melhorar o Brasil com esse dinheiro eles preferem gastar em um referendo que não vai adiantar muita coisa no Brasil.
Fazer o que né
Se eu tivesse mais de 16 anos eu votaria em SIM! Mas acho que não adianta muita coisa nao.
Até mais!

 
11 Outubro, 2005 13:20, Anonymous Mércia disse...

Muito bom...!
Voto não para o referendo!!!!!!
Bjos...lindo dia!

 
11 Outubro, 2005 15:21, Blogger luma disse...

Carlos, seu post está perfeito! Bom feriado!

 
11 Outubro, 2005 18:36, Anonymous Flávia disse...

Nossa esse realmente é o assunto do momento...bom eu já decidi, vou votar NAO....sim...passei pra te desejar um geliz dia das crianças...bj

 
12 Outubro, 2005 00:46, Anonymous Márcia(clarinha) disse...

meu querido..
estive ontem aqui,li,reli e não comentei......meu voto é NÃO! mas gostaria que todo o povo tivesse a chance de ler bons textos como o seu,que tivesse esclarecimento para saber pq estão votando,o que é o SIM e o NÃO....farei minha parte,no que eu acredito e por isso direi não!!
lindo feriado!!
beijosssssssssssss

 
12 Outubro, 2005 04:11, Anonymous £µåM¢£ disse...

.............|\.......|\ Vim te
.............|)\......|)\ deixar
.............|)_\....|)_\ um beijo
.............|)__\..|)__\ e um lindo
......(\'/).|)___\|)___\ dia da criança !
...("('o').|)____\____ \ Afinal todos temos
...(")(")*|)_____\____\ essa face da lua .rs
.~.\==-,,,,,,,,,,,,,,,,,-==/~.~.~.~.Com carinho
~.~\_~....__...__....~_/~.~.~.~.~. £.
Pode deixar que amanha eu te mando um mail e te envio okay ? Me atrasei lá no blog e okha a hora rss ..te adoro vc nao imagina como fiquei feliz ..bjks vou mimi !

 
14 Outubro, 2005 18:18, Anonymous Thayse Barreto disse...

Tirou as palavras da minha cabeça, Carlos. Sabemos que a Polícia não oferece proteção, pelo contrário, além de ajudarem os bandidos estão desprotegidos, pois quem teve seus cofres roubados suas vezes em um mesmo lugar, não pode oferecer segurança a ninguém. Já diz o ditado: quem não sabe cuidar da sua casa, saberia cuidar da dos outros? Fora, que proibir não é a resposta, veja os adolescentes: se você diz não faça! É só o que ele faz! A proibição só vai aumentar o tráfico! A proibição de armas é uma das características do totalitarismo de Stalin, Hitler e esse governo deu certo? NÃO! Afinal isso aqui é ou não uma democracia? Além disso, sabendo que temos como nos defender esses meliantes ainda invadem nossos lares, roubam nossa dignidade, matam nossos filhos, estupram nossas mulheres, imagine o que fariam se soubessem que estamos desprotegidos? Assim como você meu amigo, não defendo o uso da arma, até porque a reação é sempre mais lenta do que a ação. Quem saca a arma primeiro, tem muito mais vantagem! Ou seja, a possibilidade de revidar é mínima e a chance de se machucar enorme! Mas defendo a continuação desse direito, pois o Estado nada nos oferece, então por que exigir uma coisa tão séria e severa como essa de nós? Acho que Rodrigo deixou de falar comigo porque eu defendi essa tese! Espero estar enganada... blogdorodi

 
16 Outubro, 2005 23:11, Blogger Fernando Santana Jr disse...

Obrigado pelo texto Carlos.
O que deveria ser pensado é isso!
As consciência é que deveriam ser municiadas, assim não se precisaria de tantas leis para oprimir ainda mais o indivíduo.)
Mas, parece que eles gostam de oprimir, né?
Grande abraço.)

 
17 Outubro, 2005 13:55, Anonymous nuvemLiLas disse...

Neste fds não se falou em outra coisa e me percebi irritada - mesmo - pelo dinheiro gasto. Ainda preferia que este dinheiro do referendo fosse gasto em campanhas de conscientização. Mas já ando desiludida até com isto, a campanha da AIDS, p.e., só acontece no Carnaval, como se o vírus fosse apenas "produto importado".
Qualquer´que seja o resultado deste referendo, a única certeza é que continuará tudo na mesma. Essa sensação de impotência é horrorosa. :(

 

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